O problema dos Charizard falsos
O Charizard Base Set de 1999 não é uma carta Pokémon como as outras. É A carta. O ícone absoluto do TCG, a que todo colecionador sonha em ter, e cujas versões gradeadas PSA 10 hoje atingem cifras de cinco ou seis dígitos. Um valor desses obviamente atrai falsificadores, e há mais de vinte anos os contrabandistas rivalizam em engenhosidade para produzir cópias cada vez mais convincentes.
Estima-se que cerca de 30 a 40% dos Charizard Base Set vendidos fora de circuitos profissionais são falsos. O número pode parecer enorme, mas reflete a realidade do mercado: em plataformas generalistas, em feiras de usados ou em marketplaces asiáticos, a probabilidade de cair em uma falsificação é altíssima. E ao contrário dos fakes grosseiros de dez anos atrás, as imitações modernas são temíveis: texturas parecidas, holografias convincentes, fontes quase idênticas.
A boa notícia é que nenhuma falsificação passa em todos os testes. Mesmo as melhores imitações entregam sua natureza por pelo menos dois ou três detalhes observáveis. Basta saber onde olhar. Este guia reúne as sete verificações essenciais que fazemos no Pokeval em cada Charizard que chega até nós.
Atenção aos "Chinese proxy": desde 2022, uma nova geração de falsificações de alta qualidade inunda o mercado. Essas cartas são fabricadas em papelão TCG de verdade, com tintas quase idênticas, e muitas vezes são vendidas como "autênticas" por intermediários pouco escrupulosos. Nunca compre sem foto em alta resolução do anverso E do verso.
Os 7 testes para verificar a autenticidade
Cada um desses testes leva menos de um minuto. Nenhum é destrutivo, o que significa que você pode aplicar todos na sua carta sem correr o menor risco para o valor dela. Comece pelo teste da luz, é o mais revelador.
Teste 1: A luz (rip test alternativo)
O famoso "rip test" consiste em rasgar um canto da carta para verificar a presença de uma fina camada preta no meio do papelão, característica das cartas Pokémon reais impressas em papel multicamada. O problema é que ele destrói a carta. Por isso recomendamos uma alternativa não destrutiva: o teste da lâmpada.
Coloque seu Charizard na frente de uma fonte de luz forte (luminária de mesa, lanterna de celular encostada no verso da carta). Uma carta autêntica é totalmente opaca: a luz não passa, ou só de forma quase imperceptível. Uma falsificação, por outro lado, deixa passar bem mais luz porque o papelão usado geralmente é menos denso e não contém a tal camada central preta.
Se você vê claramente o contorno do Charizard por transparência, ou se a carta se ilumina como um vitral, muito provavelmente você tem um falso nas mãos.
Teste 2: A textura das bordas
As bordas amarelas de um Charizard Base Set verdadeiro têm acabamento perfeitamente liso, levemente acetinado, com um corte nítido e regular. Passe o dedo nas laterais: você deve sentir uma superfície contínua, sem arestas nem fibras aparentes.
Os fakes costumam ter bordas levemente rugosas, às vezes escamadas, com fibras de papel visíveis nas laterais. Olhe também bem de perto os cantos: numa carta verdadeira eles são arredondados com precisão milimétrica, enquanto as falsificações mostram com frequência cantos nítidos demais ou, ao contrário, arredondados demais.
Teste 3: A fonte e os espaçamentos
É um dos testes mais confiáveis. Em 1999, a Wizards of the Coast usava uma fonte muito específica para o nome dos ataques, os PV e as descrições. Os falsificadores raramente reproduzem essa fonte com exatidão perfeita.
Em um Charizard autêntico:
- O "HP 120" no canto superior direito usa uma fonte em negrito com espaçamento apertado entre os números
- O nome "Charizard" no topo está alinhado com precisão à barra do nome
- A descrição do ataque "Fire Spin" está justificada à esquerda com entrelinha constante
- O "©1995, 96, 98, 99 Nintendo, Creatures, GAMEFREAK" na parte de baixo deve ser perfeitamente legível mesmo a olho nu
Num fake, você quase sempre vai encontrar uma anomalia: um "O" levemente redondo demais, um espaçamento diferente ou, pior, um erro de ortografia no copyright. Um clássico: os falsos às vezes escrevem "Nintedo" ou "Gamefrek".
Teste 4: As cores e a saturação
As cartas Base Set verdadeiras têm uma paleta cromática muito particular: os amarelos são quentes e ligeiramente cremosos, os vermelhos do Charizard puxam para o laranja-tijolo, e os azuis do verso são profundos sem nunca serem fluorescentes.
As falsificações quase sempre sofrem de um dos dois defeitos: ou as cores são vivas demais (amarelo-limão agressivo, vermelho neon), ou são apagadas demais (tons desbotados, saturação fraca). Compare sempre sua carta com uma foto de referência do Pokeval ou de uma venda PSA verificada. O olho humano identifica rapidamente diferenças de colorimetria.
Dica Pokeval: para uma verificação rápida em 10 segundos, coloque sua carta ao lado de uma carta Base Set que você tem certeza que é autêntica (mesmo uma Common basta). Se os amarelos não baterem, é um sinal de alerta imediato.
Teste 5: O verso da carta (azul exato, pokebola centralizada)
O verso de uma carta Pokémon é paradoxalmente o melhor indicador de autenticidade. Os falsificadores passam horas na frente e negligenciam o verso. Aqui está o que checar:
- O tom de azul: um azul-royal profundo, nem escuro demais (quase preto nos fakes), nem claro demais (azul-céu desbotado)
- A Pokébola central: perfeitamente circular e alinhada com o logo "Pokémon"
- O logo "Pokémon": as letras amarelas devem ter um contorno azul-escuro nítido, sem borrões
- Os dois Pokémon ao fundo: as silhuetas de um Charizard e de um Mewtwo devem estar claramente desenhadas, sem estar borradas
- O texto "POKEMON" repetido: deve estar perfeitamente reto, nunca inclinado
Uma dica infalível: gire a carta a 180 graus e observe a simetria. O verso de uma carta verdadeira é quase simétrico, enquanto os fakes costumam apresentar um desalinhamento visível na posição da Pokébola central.
Teste 6: O peso e a espessura
Esse teste exige uma balança de precisão (ao centésimo de grama), mas é certeiro. Uma carta Pokémon Base Set autêntica pesa entre 1,7 e 1,8 grama, e sua espessura é exatamente de 0,3 mm.
As falsificações, por causa do papelão diferente, geralmente ficam fora dessa faixa:
- Menos de 1,6 g: papelão fino demais, fake evidente
- Mais de 1,9 g: papelão grosso demais, fake quase certo
- Espessura acima de 0,35 mm: a medir com paquímetro, um bom indicador
Se você não tem balança, compare simplesmente o peso com o de outra carta Base Set Common que você tem certeza que é autêntica. A diferença, se existir, se nota na hora entre os dedos.
Teste 7: Os detalhes da ilustração (olhos, chamas)
A arte de Mitsuhiro Arita para o Charizard original é uma obra-prima de precisão. Os falsificadores, por sua vez, trabalham a partir de scans digitais que perdem nitidez na impressão. Aqui estão as áreas para inspecionar com lupa:
- Os olhos do Charizard: dois pontos verdes perfeitamente definidos, com um reflexo branco pontual. Nos fakes, os olhos muitas vezes estão borrados, grandes demais ou mal alinhados
- As chamas na cauda: degradê laranja-amarelo fino, com pontas nítidas. As falsificações tendem a produzir chamas "pastosas", com degradês abruptos
- As escamas da barriga: cada escama é claramente delimitada numa carta verdadeira. Num fake, costumam se fundir numa massa indistinta
- A assinatura "Mitsuhiro Arita" no canto inferior direito da ilustração: deve ser perfeitamente legível, mesmo pequena
O teste da lâmpada continua sendo o mais confiável. Se você só pudesse fazer um teste, faça esse. Ele detecta instantaneamente mais de 90% das falsificações, inclusive as imitações de alta qualidade que passam nos testes visuais clássicos.
As diferenças entre as versões
Nem todo Charizard Base Set é igual, e os falsificadores se aproveitam disso para confundir as versões de propósito. Aqui está o que você precisa saber para não ser enganado.
1st Edition (1999)
A versão mais rara e mais cara. Reconhece-se pelo pequeno logo "Edition 1" (círculo com um "1" e "Edition" embaixo) impresso à esquerda da ilustração, logo abaixo do nome do ataque "Fire Spin". Atenção: esse logo muitas vezes é adicionado digitalmente nas falsificações. Sempre confira se ele está perfeitamente alinhado e se apresenta a mesma densidade de tinta do resto da carta.
Shadowless (1999)
Versão intermediária, impressa logo depois da 1st Edition. Não tem o logo Edition 1, mas se distingue pela ausência de sombra projetada à direita da moldura da ilustração. Na versão Unlimited, você vê uma sombra cinza nítida à direita da moldura da imagem; na Shadowless, a moldura é nítida e não tem essa sombra. Esse é o detalhe chave.
Unlimited (1999-2000)
A versão mais comum e, paradoxalmente, a que continua sendo mais visada pelas falsificações por causa do preço acessível em baixa conservação. Apresenta a sombra projetada característica e não tem o logo Edition 1. É sobre essa versão que circula a maioria dos falsos hoje.
Onde comprar com segurança
A melhor forma de evitar falsificações segue sendo comprar em fontes confiáveis. Aqui está nosso ranking de plataformas e canais por nível de confiança.
Cartas gradeadas PSA ou CGC
O nível máximo de segurança. As cartas encapsuladas pela PSA (Professional Sports Authenticator) ou CGC foram autenticadas por especialistas. O risco de falsificação é quase nulo, mas sempre confira o número de certificação no site oficial do grader.
Cardmarket (vendedores Gold/Premium)
Prefira vendedores com mais de 1000 avaliações positivas e taxa de satisfação acima de 99%. O Cardmarket oferece uma proteção ao comprador sólida e os litígios geralmente são decididos a favor do comprador em caso de suspeita de falsificação.
Lojas especializadas físicas
As lojas TCG com ponto físico colocam a reputação em jogo. Geralmente verificam o estoque e aceitam devoluções em caso de falsificação confirmada. Um pouco mais caras, mas muito mais seguras do que marketplaces generalistas.
A evitar a todo custo
Wish, AliExpress, Temu, Vinted (para cartas de alto valor) e perfis recentes em classificados sem histórico. Esses canais estão inundados de falsificações e a proteção ao comprador costuma ser inexistente para itens de colecionador.
Observação: outras cartas valiosas do Base Set também são massivamente falsificadas. Os mesmos testes se aplicam, por exemplo, ao Mewtwo Base Set e ao Blastoise Base Set, que estão entre os alvos prediletos dos falsificadores ao lado do Charizard.
O que fazer se achar que tem um fake
Você aplicou os testes e a dúvida persiste, ou pior, vários indícios apontam claramente para uma falsificação. Aqui está o procedimento a seguir dependendo da sua situação.
Se você acabou de comprar online:
- Não manuseie a carta mais do que o necessário e fotografe por todos os ângulos (frente, verso, laterais, com régua graduada para escala)
- Entre em contato imediatamente com o vendedor pela plataforma, sem passar por mensagem privada direta
- Explique com calma suas constatações citando os testes que falharam
- Se o vendedor recusar a devolução, abra um litígio oficial anexando todas as suas fotos
- No Cardmarket e no eBay, peça que a carta seja examinada por um terceiro (serviço de mediação)
Se você tem a carta há bastante tempo:
- Envie para grading na PSA ou CGC. Se for falsa, ela será devolvida com a menção "Evidence of Trimming" ou "Not Authentic". Esse serviço custa entre 20 e 50 euros, mas traz uma certeza definitiva
- Alternativa gratuita: submeta ao scan do Pokeval, que usa uma base de dados com mais de 100 000 cartas autenticadas para detectar anomalias automaticamente
- Entre em comunidades especializadas (subreddit r/pkmntcgcollections, fóruns lusófonos) e peça a opinião de especialistas voluntários
Último conselho, e provavelmente o mais importante: nunca revenda uma carta que você suspeita ser falsa. Mesmo sendo transparente, você se expõe a problemas legais e prejudica toda a comunidade. Se tiver certeza que é fake, marque discretamente (caneta no verso) e guarde como peça de comparação, ou destrua.
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